
Na tarde desta sexta-feira (4), foi realizado, no plenário do TRE-RS, o Seminário “Eleições na Era dos Algoritmos”. Promovido pela Escola Judiciária Eleitoral Ministro Paulo Brossard de Souza Pinto (EJERS), o evento debateu a influência dos algoritmos, da inteligência artificial e das plataformas digitais na sociedade e nos processos democráticos.
Na abertura, o diretor da EJERS, desembargador Eduardo Delgado, comentou que a tecnologia passou a integrar o próprio ambiente onde acontece a disputa política. Observou que “os algoritmos selecionam, recomendam e hierarquizam conteúdos” e que a inteligência artificial produz áudios e imagens que parecem realistas. Destacou, ainda, que “a desinformação não é apenas a informação falsa, mas pode ser um instrumento deliberado de manipulação da percepção pública”.
Pontuou que o desafio é saber “como proteger a democracia sem transformar a proteção contra a desinformação em uma restrição indevida à liberdade política”. E prosseguiu: “O problema não está na tecnologia, mas sim quando ela é utilizada para enganar, manipular e impedir que o cidadão manifeste sua liberdade de escolha de maneira consciente”.
Para o desembargador, o grande desafio das eleições deste ano é “encontrar um ponto de equilíbrio entre proteger a integridade do processo eleitoral e preservar a liberdade do debate político”. Enfatizou que “a integridade eleitoral e a liberdade política não são valores concorrentes, são pilares complementares de uma democracia verdadeiramente livre”.
Em seguida, a presidente do TRE-RS, desembargadora Maria de Lourdes Galvão Braccini de Gonzalez, salientou que a realização do seminário busca promover a reflexão sobre um tema central para a democracia contemporânea: “os impactos da tecnologia digital e da inteligência artificial na informação, participação política e nos processos eleitorais”.
Porém, observou que “as transformações produzidas pelas novas tecnologias, ao mesmo tempo que ampliaram o acesso às informações, trouxeram a desinformação, a polarização e a manipulação do conteúdo público”. Frisou que “a missão da Justiça Eleitoral é garantir que os eleitores possam escolher seus representantes de forma livre, consciente e segura, em um ambiente de integridade e confiança”.
A primeira palestra teve como tema “Democracia, inteligência artificial e plataformas digitais” e foi apresentada pelo cientista político, economista e analista de dados Renato de Carvalho Dolci, com a mediação da desembargadora federal Vânia Hack de Almeida.
O palestrante comentou como funciona a política dentro do ambiente digital. Ao abordar os efeitos da inteligência artificial nas eleições deste ano, apresentou o dado de que “o consumo excessivo de IA tem gerado desinteresse dos usuários nas eleições”, porque esses usuários “cansaram de querer saber o que é verdade ou mentira”. Segundo ele, foi constatado que “inundar as pessoas de informação causa desinteresse”.
A palestra seguinte abordou o tema “Democracia, informação e participação política” e foi ministrada pela procuradora da República, doutora em Direitos Humanos e membro auxiliar da Procuradoria-Geral Eleitoral, Nathália Mariel Ferreira de Souza Pereira. A desembargadora eleitoral Fernanda Ajnhorn foi a mediadora. Entre os assuntos tratados, a palestrante falou sobre o assédio eleitoral.
O vice-presidente e corregedor, desembargador Antônio Maria Rodrigues de Freitas Iserhard, encerrou o seminário. Elogiou as palestras apresentadas e reforçou a necessidade de que a desinformação seja combatida. Observou que “o cenário atual apresenta uma mudança de paradigma” e complementou que “a diferença entre realidade e imaginário é muito tênue”.
O Seminário “Eleições na Era dos Algoritmos” foi transmitido ao vivo pelo canal da EJERS no YouTube.
Texto: Rodolfo Manfredini
Foto: Guilherme Lund
Revisão: Paola Marcon
Coordenação: Cleber Moreira
